sábado, 8 de outubro de 2016

Por que uma escola se torna violenta?

Ao pesquisar sobre o tema violência escolar sempre encontro um denominador comum, gestão escolar. Em qualquer reportagem, artigo, opinião, entrevista, há um questionamento sobre a posição tomada pela gestão, sua prática. Sabe-se que não existe apenas uma resposta para a pergunta feita no título dessa postagem. Uns diriam a falta de educação por parte dos educandos, outros a postura dos responsáveis perante a escola, a falta de pulso dos professores, outros questionariam a prática gestora. A intenção desse post não é encontrar uma solução, é apenas debater esse problema pela perspectiva da gestão. 
Abaixo um trecho de um documento da Unicef escrito por Miriam Abramovay.
Há escolas que apresentam violências permanentes e outras apenas ocasionais. Algumas, ainda, são historicamente mais violentas do que outras. Curiosamente, há também aquelas que são seguras, apesar de estarem localizadas em regiões extremamente perigosas. É o caso de uma escola pública na periferia do Rio de Janeiro, considerada privilegiada entre as demais. A justificativa dada por professores e alunos é ser ela uma instituição escolar com as dependências sempre conservadas como novas e um corpo de professores unidos em prol do ensino. Os alunos têm ambiente de amizade e respeito. Por isso, ajudam na conservação do colégio, e a segurança é de ótima qualidade. A escola conta com um grêmio organizado, e cada turma possui um representante e um suplente, além de um professor conciliador da turma que representa o colégio na reunião de pais. Esses, por sinal, têm participação frequente nas atividades escolares. A direção tem discurso democrático enfatizando o diálogo como forma de interação do aluno. Os professores também manifestam esse sentimento incorporando seus próprios filhos na comunidade escolar. Outro exemplo é uma escola na periferia de Cuiabá, com vizinhança considerada perigosa, mas relativamente segura. Os alunos que a frequentam são moradores do bairro, assim como a direção da escola. Os alunos percebem que o colégio é um espaço de socialização onde as relações de afetividade são construídas e vi vidas entre professores e alunos, direção e coordenação. A direção garante controle rígido de entrada de pessoas estranhas no estabelecimento. Há, também, momentos em que o estabelecimento de vínculos com a comunidade traz implicações, como a necessidade de lidar com os traficantes de drogas e as gangues. A diretora de uma escola da periferia do Rio de Janeiro recorre à política da boa vizinhança com os traficantes, incluindo-se aí vários ex-alunos da escola. Os alunos afirmam que, apesar da rigidez em relação às regras de disciplina, os jovens se referem à direção com apreço. Sobre a mudança de tipologia da escola de mais violenta para menos violenta, considera-se a atuação do diretor. Há o exemplo de uma escola do município de São Paulo, localizada em um bairro operário. Segundo o diretor chamado para trabalhar na escola considerada o circo dos horrores, acabou permanecendo e mudando a sua imagem. Relatavam os alunos que a direção anterior não permanecia na escola, por tanto não acompanhava o desenvolvimento dos alunos, muito menos cuidava do aspecto físico do estabelecimento. O diretor conta que seu principal segredo foi trabalhar em equipe com a mesma filosofia, respeitando as regras estabelecidas pela escola, bem como valorizando os alunos, resgatando a autoestima por meio do estímulo ao diálogo. Incluiu na sua prática a conservação da estrutura física, fez-se mais presente, combinando respeito e liberdade. Hoje, essa escola é uma das mais procuradas do bairro e tida como modelo. Afirmar que as violências nas escolas representam um estado e não uma característica de uma ou de outra, ou do sistema escolar , significa assumir que essa condição muda de acordo com os processos pelos quais cada estabelecimento de ensino

passa, em especial as mudanças na administração e das relações com diretores e professores. Os dados apontam que alterações feitas pela administração produziram mudanças no perfil da escola em relação à violência: o estreitamento da tolerância em relação às regras; a democratização do ambiente escolar; e a melhoria e conservação da estrutura física.

Link: http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_02.pdf
Acesso em: 08/10/2016



Aline Fernandes Rodrigues Espíndola - matrícula 14112080297
Estela Justino da Silva Alves de Castro - matrícula 14112080300
Helce Amanda de Oliveira Moreira - matrícula 14112080285

Um comentário:

  1. Por Eliza de Paula - Matrícula: 15112080386
    Essa matéria nos leva a pensar de como a gestão é importante e de que forma ela pode influenciar/contribuir na permanência ou exclusão da violência. Além disso, essa leitura nos leva a compreender a importância dos vínculos, do respeito mútuo, da tolerância, da disciplina e do discurso democrático que é tanto estudado/discutido. Pensar na importância da postura do gestor enfatiza a importância do seu trabalho, que pode levar a aspectos positivos como também a mudanças transformadoras.

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