Ao pesquisar sobre o tema violência escolar sempre encontro um denominador comum, gestão escolar. Em qualquer reportagem, artigo, opinião, entrevista, há um questionamento sobre a posição tomada pela gestão, sua prática. Sabe-se que não existe apenas uma resposta para a pergunta feita no título dessa postagem. Uns diriam a falta de educação por parte dos educandos, outros a postura dos responsáveis perante a escola, a falta de pulso dos professores, outros questionariam a prática gestora. A intenção desse post não é encontrar uma solução, é apenas debater esse problema pela perspectiva da gestão.
Abaixo um trecho de um documento da Unicef escrito por Miriam Abramovay.
Há
escolas que apresentam violências permanentes e outras apenas
ocasionais. Algumas, ainda, são historicamente mais violentas do que
outras. Curiosamente, há também aquelas que são seguras, apesar de
estarem localizadas em regiões extremamente perigosas. É o caso de
uma escola pública na periferia do Rio de Janeiro, considerada
privilegiada entre as demais. A justificativa dada por professores e
alunos é ser ela uma instituição escolar com as dependências
sempre conservadas como novas e um corpo de professores unidos em
prol do ensino. Os alunos têm ambiente de amizade e respeito. Por
isso, ajudam na conservação do colégio, e a segurança é de ótima
qualidade. A escola conta com um grêmio organizado, e cada turma
possui um representante e um suplente, além de um professor
conciliador da turma que representa o colégio na reunião de pais.
Esses, por sinal, têm participação frequente nas atividades
escolares. A direção tem discurso democrático enfatizando o
diálogo como forma de interação do aluno. Os professores também
manifestam esse sentimento incorporando seus próprios filhos na
comunidade escolar. Outro exemplo é uma escola na periferia de
Cuiabá, com vizinhança considerada perigosa, mas relativamente
segura. Os alunos que a frequentam são moradores do bairro, assim
como a direção da escola. Os alunos percebem que o colégio é um
espaço de socialização onde as relações de afetividade são
construídas e vi vidas entre professores e alunos, direção e
coordenação. A direção garante controle rígido de entrada de
pessoas estranhas no estabelecimento. Há, também, momentos em que o
estabelecimento de vínculos com a comunidade traz implicações,
como a necessidade de lidar com os traficantes de drogas e as
gangues. A diretora de uma escola da periferia do Rio de Janeiro
recorre à política da boa vizinhança com os traficantes,
incluindo-se aí vários ex-alunos da escola. Os alunos afirmam que,
apesar da rigidez em relação às regras de disciplina, os jovens se
referem à direção com apreço. Sobre a mudança de tipologia da
escola de mais violenta para menos violenta, considera-se a atuação
do diretor. Há o exemplo de uma escola do município de São Paulo,
localizada em um bairro operário. Segundo o diretor chamado para
trabalhar na escola considerada o circo dos horrores, acabou
permanecendo e mudando a sua imagem. Relatavam os alunos que a
direção anterior não permanecia na escola, por tanto não
acompanhava o desenvolvimento dos alunos, muito menos cuidava do
aspecto físico do estabelecimento. O diretor conta que seu principal
segredo foi trabalhar em equipe com a mesma filosofia, respeitando as
regras estabelecidas pela escola, bem como valorizando os alunos,
resgatando a autoestima por meio do estímulo ao diálogo. Incluiu na
sua prática a conservação da estrutura física, fez-se mais
presente, combinando respeito e liberdade. Hoje, essa escola é uma
das mais procuradas do bairro e tida como modelo. Afirmar que as
violências nas escolas representam um estado e não uma
característica de uma ou de outra, ou do sistema escolar , significa
assumir que essa condição muda de acordo com os processos pelos
quais cada estabelecimento de ensino
passa,
em especial as mudanças na administração e das relações com
diretores e professores. Os dados apontam que alterações feitas
pela administração produziram mudanças no perfil da escola em
relação à violência: o estreitamento da tolerância em relação
às regras; a democratização do ambiente escolar; e a melhoria e
conservação da estrutura física.
Link: http://www.unicef.org/brazil/pt/Cap_02.pdf
Acesso em: 08/10/2016
Aline Fernandes Rodrigues Espíndola - matrícula 14112080297
Estela Justino da Silva Alves de Castro - matrícula 14112080300
Helce Amanda de Oliveira Moreira - matrícula 14112080285
Aline Fernandes Rodrigues Espíndola - matrícula 14112080297
Estela Justino da Silva Alves de Castro - matrícula 14112080300
Helce Amanda de Oliveira Moreira - matrícula 14112080285
Por Eliza de Paula - Matrícula: 15112080386
ResponderExcluirEssa matéria nos leva a pensar de como a gestão é importante e de que forma ela pode influenciar/contribuir na permanência ou exclusão da violência. Além disso, essa leitura nos leva a compreender a importância dos vínculos, do respeito mútuo, da tolerância, da disciplina e do discurso democrático que é tanto estudado/discutido. Pensar na importância da postura do gestor enfatiza a importância do seu trabalho, que pode levar a aspectos positivos como também a mudanças transformadoras.